A sustentabilidade insustentável !


A nova consciência ambiental, surgida no bojo das transformações culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.Mas passados 37 anos da criação do dia Internacional do Meio Ambiente , ainda corremos atrás do prejuízo das gerações passadas e tentando corrigir as ações do presente.

Muito se fala em sustentabilidade, o termo virou slogan da demagogia dos discursos politicamente corretos, e não obstante a isto, um aliado do marketing .E também não é para menos, nossos problemas ambientais tomaram proporções mundiais nas últimas décadas , se antes a preocupação era local , como a contaminação de um rio, a desmatamento de uma floresta, hoje temos pela frente escassez de água potável, mudanças climáticas, desabrigados ambientais e o aquecimento global .Frente a isto , busca-se uma nova postura na relação que estabelecemos como nosso planeta.

Procure no google o que desenvolvimento sustentável , e maioria das respostas , irão te orientar que este termo diz que o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidades de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades.Mas é aí que reside a insustentabilidade deste termo , resumí-lo a tão pouco .Além da primícia inicial , ainda que temos que levar conta , que este desenvolvimento introduz uma dimensão ética e política que o considere como um processo de mudança social, sendo a consequência disto, o acesso democrático aos recursos naturais e a distribuição equilibrada dos custos deste acesso.

A sociedade sustentável nunca passará de uma utopia infantil, enquanto não buscarmos o equilíbrio entre o social e o ecológico. O desenvolvimento sustentável esta além da ecologia , haja visto que ele se estende em 5 esferas que necessitam de atenção, que são :

  • social : entende-se pela diminuição do abismo entre ricos e pobres , com um distribuição equivalente de bens e rendas.
  • econômica : entende-se pela alocação mais eficaz dos recursos a fim de gerar um fluxo contínuo de investimentos públicos e privados.
  • ecológica:aumento da capacidade de utilização dos recursos,limitação do consumo de combustíveis fósseis e de produtos que são facilmente esgotáveis , além da diminuição da geração de resíduos e de poluição, através da conservação da energia, de recursos e da reciclagem .
  • espacial : entende-se pelo equilíbrio entre as zonas urbana e rurais , afim de obter uma harmonia entre assentamentos urbanos e atividades econômicas .
  • cultural : soluções associadas as raízes culturais de um local ou região, adequadas a melhor alocação de recursos .
As duas palavras chaves de desenvolvimento sustentável são necessidade, que deve suprir as necessidades essenciais da grande parcela pobre mundial, e a outra é limitação, que é a noção que o atual estágio do desenvolvimento tecnológico impõem sobre o meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades do presente e muito menos das gerações futuras .

3 comentários

arte-e-manhas.com disse...

Amigo Alterado,

Pois é, o significado da palavra está muito bem exposto e claro e o conceito, com este teu artigo, torna-se simples e compreensível por todos nós. Resta saber se os responsáveis que a usam frequentemente saberão o seu real significado, ou se a usam apenas para enfeitar os discursos. O facto é que ainda não se vislumbram alternativas válidas ao petróleo, não nos podemos esquecer que independentemente dos carros (os maiores poluidores) a economia mundial assenta no petróleo. É ele que move as industrias das quais dependemos.

Parece-me que enquanto os problemas de base não forem realmente resolvidos, a palavra sustentabilidade soa-me um pouco a "oco".

Grande abraço
Luísa

Cris disse...

Ricardo,

Há uma urgência em salvar o planeta, que não está sendo considerado pelo governo e pela população. Ao governo caberia 'educar' a população e viabilizar a todos a aquisição de placas solares, por exemplo, entre muitas outras decisões simples. Já a população, pouco mudou seus hábitos, não acreditando (mesmo que evidente nos jornais, as enchentes e secas) que pouco resta a se fazer pelo planeta e o quão urgente isso se faz.

Cris

FLIP disse...

A insustentabilidade do ser

Definitivamente estamos vivendo uma fase de transição do nosso planeta. Somos invadidos pela percepção de que nossa espécie poderá ser varrida do planeta de uma hora para outra. E buscamos quase obsessivamente o restabelecimento do equilíbrio da Terra.
Por que ainda esperamos as grandes corporações tomarem atitudes significativas para a redução dos danos ao planeta? Nessa lógica, inventaram até um termo – o ecologicamente correto -, que começou a ser muito vendido pelas grandes corporações.
Estamos já há alguns meses vivendo quase diariamente oscilações da temperatura. Ondas de calor que ultrapassam as médias históricas; temporais catastróficos que abalam nossas engenharias urbanas (como ruas, praças, avenidas e estradas); casas sendo alagadas ou destruídas... Mas mesmo assim ainda estamos engatinhando no processo de transformação de nossos hábitos cotidianos.
Será que estamos esperando que a salvação venha, por exemplo, de uma potência mundial, como nos filmes inspirados no tema? Pelo que vimos no encontro de Copenhague sobre o clima, isso pode estar longe de acontecer.
Tais transformações podem ser percebidas de diversos olhares, como, por exemplo, o mítico, o profético e o científico. De todas essas formas, tal evento nos afeta incansavelmente a todo instante. Vale, então, repensar nossa humilde forma de ser humano!
O que nos espera? O que devemos esperar? Quais dessas perguntas cabem melhor nesse momento tão decisivo? Ou será melhor parar de perder tempo com elocubrações que não levam a nada e agir, de forma rápida e consciente, levando em conta que, já há algum tempo, vivemos um afastamento de tudo que é natural e que circunda o planeta?
Em nosso conceito civilizatório, deixamos de lado espaços significativos no que se refere aos elementos da natureza como um todo. Historicamente, poderíamos culpar a revolução industrial como um momento marcante nos danos que a espécie humana vem causando à natureza. Porém, antropologicamente, vemos que sempre houve tribos arcaicas que se preocupavam simplesmente com a proliferação da espécie, degradando os recursos naturais que lhe cercavam, não tendo, assim, hábitos de conservação do meio ambiente.
Se, de fato, nosso planeta for como um organismo pertencente a todos que o envolvem - assemelhando-se, assim, a um corpo -, nossa espécie pode ser considerada como uma doença grave, que afeta de forma drástica todo o sistema. E os habitantes que vivem nele estão envolvidos.
Se usarmos a lógica que o planeta está dentro de nós, estamos sendo destruídos pelo mesmo mecanismo. Basta ver as epidemias que surgem e ressurgem, numa cadeia infinita de relações em que hoje não compete mais encontrar um culpado. Devemos, isso sim, repensar a maneira de existir.
Atualmente, nas grandes metrópoles a população que mora sozinha cresce significativamente. A maioria dos jovens casais não sonha mais em ter filhos. Não se pensa muito no futuro das próximas gerações. O que prevalece é o interesse individual de ter, por exemplo, uma carreira de sucesso. E, quando se pensa na natureza, é muitas vezes apenas com interesses comerciais, principalmente agora que a moda dita esse tom.

FELIPE FORESTO psicólogo e escritor.

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